domingo, 2 de fevereiro de 2014

As cores na Bíblia

Arqueólogos encontram tecidos tingidos que condizem com a descrição bíblica

“Farás também para a porta da tenda um reposteiro de estofo azul, e púrpura, e carmesim, e linho fino retorcido, obra de bordador.” Êxodo 26.36
Na construção do Tabernáculo, como o livro do Êxodonos ensinou, Deus ordenou a Moisés que usasse o melhor material à disposição na época. No trecho acima são descritas as cores usadas no véu interior da tenda, o que havia de mais nobre em corantes de tecidos naqueles tempos, cores usadas somente pelos mais ricos e nobres – incluindo-se os sacerdotes –, não acessíveis à população comum.
O azul passou a ser como a “cor oficial” dos sacerdotes, usado até hoje nos acessórios e vestes de rabinos – e com o tempo mais acessíveis aos demais judeus da população –, dos quais veio a inspiração para as cores da bandeira de Israel.
O púrpura era usado, durante um tempo, somente por reis, o que foi imitado por pessoas de grandes posses exatamente por sugerir nobreza. Não era uma cor presente em roupas de plebeus ou pessoas mais humildes, sendo até proibido para elas em algumas culturas da época. O carmesim, um vermelho profundo e brilhante, também simbolizava riqueza.
“Ora, havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo e que, todos os dias, se regalava esplendidamente.” Lucas 16.19
A escolha de cores era concernente com as riquezas da época. Se o Tabernáculo teria que ser feito com os materiais mais nobres – madeiras, metais, pedras preciosas e tecidos –, era natural que essas cores fossem escolhidas. O pigmento da púrpura, por exemplo, tinha seu preço bem próximo ao do ouro em algumas cidades, e tecidos tingidos com ele tinham altíssimo valor.
A escolha do púrpura, por exemplo, foi feita ironicamente pelos soldados romanos que levaram o Senhor Jesus à cruz:
“Os soldados, tendo tecido uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça e vestiram-No com um manto de púrpura.” João 19.2
Essas cores eram nobres por causa da dificuldade de encontrar a matéria-prima para seus pigmentos. O azul e o púrpura eram extraídos de secreções de um molusco marinho, o caramujo murex, em duas variedades.
Já o carmesim era obtido dos corpos secos de insetos – e suas larvas – do gênero kermes (nome do qual se derivou o da cor), comuns na área do Mediterrâneo. Com o tempo, o kermes caiu em desuso, pois foi descoberto que de outro inseto, a cochonilha, podia ser conseguido um corante similar, mas com o rendimento de 10 a 12 vezes maior. O pigmento da cochonilha, aliás, é usado até hoje pela indústria alimentícia, presente em muitos produtos que consumimos.
Descoberta histórica
Com o tempo, novas formas artificiais de chegar a essas cores foram surgindo, e o uso dos moluscos e insetos caiu, no que diz respeito ao uso têxtil. Daí o entusiasmo de arqueólogos israelenses que acharam retalhos de tecidos em cavernas na localidade de Wadi Murabba, em Qumran, perto de onde foram encontrados osManuscritos do Mar Morto. Quando submetidos a análises laboratoriais, constatou-se que os pigmentos naturais são exatamente os descritos na Bíblia, das citadas fontes animais – portanto, da época em que foi escrita.
Os retalhos, com mais de 2 mil anos, são de tecido listrado de branco e azul, enquanto o outro tem azul, carmesim e púrpura.
A Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA, na sigla em inglês) divulgou um comunicado no qual diz que “praticamente não há paralelos (para esses retalhos) nos registros arqueológicos”. Dada à importância bíblica dessas cores, e o uso de uma delas nos símbolos israelenses nacionais e de sua crença predominante, é natural entender o entusiasmo pelo “azul bíblico perdido” em sua forma original, bem antes dos corantes sintéticos, hoje encontrados com tanta facilidade.

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